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Testemunhos e conversões

Conversão de Edith Stein

Dom João Evangelista Martins Terra

Edith SteinNo dia 1ºde Outubro, o Papa João Paulo II proclamou uma judia, cremada no campo de concentração de Auschwitz, no dia 9 de Agosto de 1942, padroeira da Europa.

Santa Teresa Benedita da Cruz, Irmã Carmelita, no século, Edith Stein, é realmente um ícone que representa emblematicamente todo o drama do século XX. Nascida em 1891, em Breslau, na Alemanha, era a mais nova de 11 irmãos. Perdeu seu pai, Siegrified Stein, quando tinha apenas 2 anos. Sua mãe, Auguste Courant, Judia de caráter enérgico e sólida piedade, educou sozinha os filhos, que aprenderam os princípios da vida moral pela retidão de caráter da mãe. Como a “mulher forte” dos Provérbios (31,10) ela representava, para os filhos, “O espelho das virtudes”. Infelizmente em contato com o ambiente profundamente racionalista do começo deste século, perderam a fé, na adolescência.

Com inteligência precoce e vivaz, Edith, aos cincos anos já sabia ler e durante toda a vida escolar manteve sempre o primeiro lugar. Ao terminar, brilhantemente o ensino fundamental, desiludida, deixou os estudos. A mãe a enviou a passar umas semanas com sua irmã mais velha, Else, que morava em Hamburgo com o marido, um médico. Infelizmente a irmã e o cunhado tinham deixado de praticar o judaísmo. Edith também perdeu a fé e deixou de rezar. A ideologia liberal racionalista e a crítica histórica da Bíblia, que a esvaziava de todo os colegas e amigos dos jovens Stein se diziam ateus. Embora em casa não deixassem de cumprir as cerimônias tradicionais, todos se afastaram interiormente da religião.

Depois de 10 meses em Hamburgo, Edith ficou convicta de sua vocação para o trabalho intelectual. Retornou à escola e cursou os três anos do segundo grau que lhe faltavam, colando grau em 1910.

Em 19911, matriculou-se em Literatura, História e Filosofia, na Universidade de Breslau. Mas a aridez do ensino, ministrado em Breslau, com professores impregnados do idealismo Kantiano, dominante na Alemanha do seu tempo, levou Edith a transferir-se para a Universidade de Gottingen, onde pontificava, o professor judeu Edmund Husserl, o mais importante filósofo alemão do tempo, criador da corrente “fenomenologista”.

Edmund Husserl, discípulo de Franz Brentano, (o qual na sua formação sacerdotal tinha estudado a filosofia escolática aristotélica-tomista) provocou uma guinada da filosofia; afastou-se do idealismo Kantiano, voltou-se para “as coisas em si”, para o tratamento fenomenológico das questões palpitantes da vida moral, social e política. À semelhança do tomismo, o método fenomenológico procura chegar à essência das realidades concretas.

O encontro com Husserl, foi para Edith um deslumbramento. Ela tinha então 21 anos e sua sede apaixonada pela verdade parecia mitigar-se. Husserl acabava de fundar a revista, Anais de filosofia e investigação fenomenológica. Em volta de Husserl reuni-se um grupo brilhante de pensadores entre os quias alguns judeus convertidos ao cristianismo: Max Scheler e Adolf Reinach.

Num relato intitulado Meu primeiro semestre em Gottingen, Edith destaca o filósofo Max Scheler como o que lhe exerceu mais influência. Como Husserl ele também fora discípulo de Bretano, mas enquanto Husserl estudava sobretudo a questão da verdade, Scheler voltava-se para a filosofia dos valores, isto é, a questão do bem aprendido pelo espírito humano. Scheler recém convertido ao Catolicismo, estava repleto de idéias Católicas, e com o brilho do seu espírito, atraia muitas pessoas à Igreja.

Em pouco tempo Edith tornou-se a melhor discípula de Husserl.

Quando explodiu a Guerra Mundial, em 1914, Edith se alistou como enfermeira da Cruz Vermelha. Enquanto esperava, prestou em janeiro de 1915 as provas do exame de Estado em Filosofia, História e Língua Alemã. Foi aprovada com a nota máxima. Logo depois foi enviada como enfermeira para um grande hospital na Áustria, com lugares para 4.000 feridos da guerra. Mais do que nas aulas acadêmicas, foi aí, no contato pessoal com os mutilados de guerra e moribundos, que Edith aprendeu o significado da dor, da morte e o valor da pessoa humana. Sua generosidade em ajudar os feridos não tinha limites. Passava horas à cabeceira deles, para os consolar e alentar e escrevia-lhes as cartas que queriam dirigir aos familiares. Conquistou o amor e a admiração dos pacientes e dos médicos e recebeu a condecoração máxima da Medalha de Honra.

Em 1915, voltou a Gottingen para dedicar-se à preparação do doutorado. O tema de sua tese era a solidariedade interior ou a “intersubjetividade” que Edith chamava “empatia” isto é, a capacidade de por-se no lugar do outro e ver o mundo através dos seus olhos.

Em meados de 1916, Husserl foi chamado para ocupar uma cátedra na Universidade de Freiburg. Sua discípula o acompanhou. No dia 3 de agosto de 1916 ela defendeu sua tese de doutorado. A banca examinadora, com extremo rigor a examinou durante 10 horas, das 10 da manhã até as 8 da noite. O resultado foi summa cum laude, o “máximo louvor possível”. No dia seguinte Husserl assumiu Edith como sua assistente.

Numerosos discípulos e colegas de Husserl abriram-se à “verdade” e converteram-se ao luteranismo em 1917. Anna foi quem lhe falou pela primeira vez de Cristo e do significado da Cruz como caminho de Ressurrição.

Em 1921 descansando durante umas semanas na casa de campo do casal Theodor e Hedwig Conrad-Martius, também judeus convertidos ao luteranismo, Edith tomou por um acaso um volumoso livro da estante de sua amiga, intitulado: “Vida de Santa Teresa de Ávila, escrita por ela mesma”. Começou a ler e só parou no dia seguinte, quando terminou a leitura. Quando fechou o livro, disse: “Esta é a verdade”. Foi a hora da graça. Naquela mesma manhã foi à cidade comprar um catecismo e um missal. Devorou o livro. No domingo seguinte foi a Igreja paroquial e pediu o batismo. Edith passou a assistir diariamente à missa. Com a dispensa do bispo, conseguiu que sua amiga luterana, Hedwig fosse sua madrinha. Em homenagem a ela e à Santa que a conquistara para Cristo, adotou o nome de Theresa Hedwig.

Logo depois do batismo pensou em fazer-se carmelita; mas o seu diretor espiritual, o vigário Geral e o bispo da diocese acharam que ela deveria esperar. O bispo e outros intelectuais pensavam que ela deveria consagrar seus talentos extraordinários à Apologética e ao ensino da Filosofia e Teologia. Em fins de 1922, Edith iniciou seu magistério no instituto das dominicanas de Speyer. Estudou a fundo a obra de Santo Tomás de Aquino e descobriu a afinidade com a fenomenologia. Publicou então uma monografia: A fenomenologia de Husserl e a filosofia de S. Tomás de Aquino. Em 1927 ela encontrou o grande intelectual Jesuíta Erich Przywara que a aconselhou a procurar a abadia Benetitina de Beuron. Traduziu várias obras de S. Tomás. Em 1933, Hitler, eleito chanceler, baixou uma lei proibindo os “não-arianos” de exercer o magistério público ou privado. Nesse ano Edith escreveu a amiga “Sei que devo sofrer muito pela causa do Judaísmo.O destino desse povo será também o meu”. Dirigiu-se para o mosteiro de Beuron, onde fez seu retiro de despedida do mundo. Com 42 anos de idade realizou seu sonho entrando no Carmelo de Colônia. Escreveu ao Papa Pio XI pedindo que promulgasse uma encíclica em defesa dos Judeus: recebeu um agradecimento da Santa Sé. Três anos depois o Papa publicou a encíclica Mit brennender Sorge, condenando o Nazismo racista.

A entrada de Edith no Carmelo foi uma dor terrível para a sua mãe e mais ainda para ela. Depois do período do postulantado, tomou o hábito de Carmelita em abril de 1934 e recebeu o nome de Theresa Benedicta a Cruce. Esta expressão latina pode ser traduzida “Abençoada pela Cruz”. Quatro anos depois em abril de 1938 Edith fez a profissão pepétua.

O encontro com o Cristianismo, não foi motivo para repudiar as suas raízes hebraicas, pelo contrário, ajudou-a a redescobri-la em plenitude. De modo particular, ela fez próprio o sofrimento do povo Judeu, na satânica perseguição Nazista. Sentiu então que, no extermínio sistemático dos Judeus, a cruz de Cristo era carregada pelo povo, e assumiu-a na sua pessoa com a sua deportação e execução em Auschwitz. A sua imagem de santidade permanece para sempre ligada ao drama da sua morte violenta, ao lado de tantos que padeceram juntamente com ela. E permanece como anúncio do evangelho da Cruz, com o qual ela se quis identificar no seu próprio nome de religiosa: “Bendita da Cruz”. Declarar hoje Edith Stein Padroeira da Europa significa colocar no horizonte do velho continente um estandarte de respeito e de tolerância que supera as diferenças étnicas, culturais e religiosas para formar uma sociedade verdadeiramente fraterna.

“A Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1 Tim 3,15)

“Todo aquele que divide Jesus é um anti-cristo” (1 Jo 4,3)

Fonte: http://br.geocities.com/jf_m2001/115.htm

Referências:
Vaticano, Irmã Teresa Benedita da Cruz - Edith Stein http://www.vatican.va/news_services/liturgy/saints/
ns_lit_doc_19981011_edith_stein_po.html

Wikipedia Edith Stein http://pt.wikipedia.org/wiki/Edith_Stein

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